NUTRIÇÃO CLÍNICA

Com o passar dos anos, houve um aumento constante do consumo de alimentos ricos em açúcares, gorduras saturadas e alimentos ultraprocessados, caracterizados por uma baixa qualidade nutricional, pela presença de conservantes, aromatizantes, adoçantes, entre outros. E infelizmente esse é o padrão de alimentação ocidental, também conhecido como “WESTERN DIET”, que vem ganhando um maior alcance por serem alimentos altamente palatáveis, induzindo um consumo desenfreado, propiciando um ambiente favorável para a obtenção de um balanço energético positivo ou superávit calórico, que associado com à inatividade física, promove o acúmulo de gordura.

Diante desse cenário, os níveis de sobrepeso e obesidade só aumentam, e juntamente a isso está atrelado diversas condições clínicas que afetam diretamente a saúde do paciente, dentre elas: resistência periférica à insulina, doenças cardiovasculares, esteatose hepática, ansiedade, depressão.

Em muitos casos, somente o medicamento não é o suficiente, pois o que realmente fará a diferença no tratamento será a mudança do estilo de vida, e por isso a necessidade de um acompanhamento nutricional para orientar e auxiliar o paciente durante a jornada, pois são hábitos que precisam ser descontruídos e o mais importante: precisam ser mantidos.

Quando o assunto é obesidade, certamente o emagrecimento é essencial, porém é necessário de diversas estratégias nutricionais, uma vez que a obesidade relaciona-se diretamente com outros sistemas fisiológicos do organismo, como: cérebro (promovendo traumas e cargas psicológicas, depressão, transtornos alimentares), sistema gastrointestinal (promovendo refluxo gastroesofágico, azia, câncer, úlceras), sistema circulatório (comprometendo a função cardíaca e da artéria coronária, infarto agudo do miocárdio, alterações no perfil lipídico, hipertensão, entre outros), sistema respiratório (asma, apneia do sono, entre outros), sistema urinário (cálculo renal, câncer de bexiga ou renal, incontinência urinária), sistema endócrino (resistência à insulina, diabetes mellitus tipo 2, irregularidades menstruais), ossos (gota, degeneração da cartilagem, entre outros).

O quadro da obesidade é multifatorial, envolvendo questões fisiológicas, psicológicas, inatividade física e alimentação inadequada, sendo que esses três últimos apresentam uma relação direta com o ambiente que o paciente está envolvido.

O padrão de alimentação ocidental apresenta impactos negativos à microbiota intestinal e consequentemente à integridade da barreira intestinal. Por isso, em um primeiro momento evitar alimentos açucarados, fontes de gordura saturadas, e priorizar alimentos in natura e minimamente processados, ricos em fibras já irá auxiliar em uma melhor qualidade da microbiota intestinal.

A privação do sono de forma crônica pode levar a comprometimentos que estão intimamente relacionados aos fatores de desenvolvimento da obesidade, como o desequilíbrio de alguns hormônios, prejuízos nos mecanismos de fome e saciedade, além de outros malefícios.